Aula 10 – Do Acesso ao Mundo | Prof. Israel Costa | Curso Filosofia, Ética e Acessibilidade

GPGEINFOAbout 4 min readSep 5, 2025Watch original
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Resumo do Vídeo do YouTube: Acesso ao Mundo Segundo Schopenhauer

Key Concepts:

  • Mundo como Vontade e Representação
  • Vontade (metafísica)
  • Representação (fenômeno)
  • Dor e Tédio
  • Pessimismo Filosófico
  • Negação da Vontade
  • Sabedoria vs. Conhecimento
  • Brama (filosofia hindu)
  • Atma (filosofia hindu)
  • Amor Fati (Nietzsche)

1. Introdução e Acessibilidade ao Mundo:

  • A aula 10 do curso de filosofia aborda o livro "O Mundo como Vontade e Representação" de Arthur Schopenhauer.
  • Schopenhauer argumenta que o conhecimento do mundo permanece inacessível à maioria das pessoas.
  • O curso visa tornar acessível a filosofia de Schopenhauer, promovendo a acessibilidade através do grupo de estudo gnosiologia, ética e informação.

2. A Oscilação entre Dor e Tédio:

  • Schopenhauer descreve a vida humana como um pêndulo oscilando entre dor e tédio.
  • A vida não contém sofrimento, mas é sofrimento. O sofrimento é a base da vida.
  • Exemplo: A paixão e o amor. A dor da saudade é substituída pelo tédio quando o objeto de desejo é alcançado.
  • A infelicidade humana é causada tanto pela não satisfação quanto pela satisfação dos desejos.
  • O inferno representa o tormento, enquanto o céu representa o tédio. Ambos são formas de sofrimento.
  • Schopenhauer é considerado um pessimista, afirmando que o grande pecado é nascer.
  • Referência ao sábio Sileno, que diz que a melhor coisa para o ser humano é não nascer, e a segunda melhor é morrer logo.

3. A Vontade como Coisa em Si:

  • A vontade, com "V" maiúsculo, é a "coisa em si" (em referência a Kant), diferente de seu fenômeno.
  • A vontade é una e livre das formas, manifestando-se de maneira múltipla em representações.
  • O eu profundo é a própria vontade. Todos os seres, incluindo animais e bactérias, compartilham a mesma vontade.
  • Exemplo: Um pedreiro que diz "Aquele muro está querendo cair" exemplifica a vontade inerente nas coisas.
  • Exemplo: O salmão nadando contra a corrente para morrer é impulsionado pela vontade.
  • A vontade quer viver e usa os indivíduos para se perpetuar.
  • Exemplo: O amor romântico é uma ilusão criada pela vontade para a procriação.
  • Os indivíduos são usados pela vontade para a sobrevivência da espécie.
  • A razão é um instrumento da vontade, submetida a ela.

4. Schopenhauer e o Pessimismo:

  • Pergunta: Schopenhauer é pessimista? Se todos são apenas a vontade, quem é que fica no tédio? O que padece o sofrimento?
  • Nietzsche, ao ler Schopenhauer, concorda que a vontade comanda o mundo, mas valoriza o sofrimento (Amor Fati).
  • Schopenhauer não nega o sofrimento e propõe a negação da vontade, pois ela escraviza o indivíduo às paixões.
  • A vontade sofre quando não consegue algo ou quando o obtém. O sofrimento é o próprio devir.
  • A libertação do tédio e do tormento só é possível através da filosofia.

5. A Vontade e as Representações:

  • A vontade é una, mas os fenômenos são múltiplos.
  • Analogia: A vontade é como um pão, e as representações são migalhas. O pão permanece inteiro em cada migalha.
  • O sofrimento surge da tensão entre a universalidade da vontade e a particularidade do indivíduo.

6. A Influência da Filosofia Hindu:

  • Schopenhauer se inspira na filosofia hindu, especialmente nos Upanishads e no budismo.
  • Paralelo com a história de Sidarta Gautama (Buda), que percebeu que a causa do sofrimento é o desejo.
  • No budismo, a solução é abandonar o desejo para sair do Sansara (roda das reencarnações) e entrar no Nirvana (o nada).
  • Schopenhauer propõe o "nada da vontade" como solução.
  • O sábio deve distinguir entre conhecimento (ligado a coisas, ações e relações) e sabedoria (ligada a Brama).
  • Brama (na filosofia hindu) é comparado à vontade de Schopenhauer.
  • A vida é um sonho, um véu de Maia. O eu verdadeiro (Atma) deve estar consciente de que é o eu do Brama.
  • O acesso ao mundo como representação é pelo conhecimento, enquanto o acesso ao mundo como vontade é pela sabedoria.
  • A sabedoria consiste em entender que o mundo é representação e vontade.

7. A Unidade entre o Eu e o Mundo:

  • A tarefa da filosofia é tornar claro em que sentido somos uma única e mesma coisa com o mundo.
  • Analogia: O Ouroboros (cobra que morde o próprio rabo). O mundo é a cauda da serpente da qual você é a cabeça.
  • Todo mal feito ao mundo é feito a si mesmo.
  • O mundo não termina na epiderme; ele se estende.
  • Referência a Heidegger: "Nós somos um ser aí." O mundo é o "aí" do ser.
  • O mundo é o eu visto de dentro. Não há separação entre o eu e o mundo.

8. Conclusão:

  • Schopenhauer argumenta que o conhecimento do mundo como representação e vontade não é acessível a todos.
  • A filosofia busca revelar a unidade entre o indivíduo e o cosmos, desafiando a percepção de separação.
  • A influência da filosofia oriental, especialmente a hindu, é evidente na busca por uma compreensão mais profunda da realidade e do sofrimento humano.
  • A negação da vontade é apresentada como uma possível via de escape do ciclo de dor e tédio.

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