Sistema Complemento (aula completa)

ImunoCanalAbout 4 min readMay 14, 2025Watch original
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Sistema Complemento (Complement System)

Key Concepts:

  • Sistema Complemento: Mecanismo efetor da imunidade humoral e inata, composto por proteínas plasmáticas que interagem para eliminar microrganismos.
  • Vias de Ativação: Clássica, alternativa e da lectina, cada uma iniciada por diferentes mecanismos, mas convergindo em etapas finais comuns.
  • Clivagem Proteolítica: Processo chave na ativação do sistema complemento, onde proteínas são fragmentadas em subunidades com funções específicas.
  • Opsonização: Marcação de patógenos para facilitar a fagocitose, mediada por fragmentos de proteínas do complemento.
  • Inflamação: Resposta imune local, amplificada por fragmentos de proteínas do complemento.
  • Regulação: Mecanismos que controlam a ativação do sistema complemento para evitar danos às células do hospedeiro.

Descoberta do Sistema Complemento

  • Jules Bordet descobriu que o soro fresco continha um componente termolábil que complementava a ação lítica dos anticorpos.
  • Aquecimento do soro a 56°C ou mais inativava esse componente, demonstrando sua sensibilidade ao calor.
  • Este componente foi posteriormente denominado sistema complemento.

Nomenclatura

  • As proteínas do sistema complemento foram numeradas de acordo com a ordem de descoberta (C1, C4, C2, C3, etc.).
  • A clivagem das proteínas gera fragmentos designados por letras minúsculas (ex: C3a, C3b).
  • Fragmentos "a" geralmente estão envolvidos na inflamação, enquanto fragmentos "b" participam da opsonização.
  • Exceção: C2, onde o fragmento maior (C2a) é enzimaticamente ativo e o fragmento menor (C2b) não se liga ao microrganismo.

Vias de Ativação do Sistema Complemento

Via Clássica

  • Iniciada pela ligação de C1 a anticorpos (IgG ou IgM) que já se ligaram ao antígeno.
  • C1 é um complexo composto por C1q, C1r e C1s.
  • C1q se liga aos anticorpos, ativando C1r, que por sua vez cliva e ativa C1s.
  • C1s cliva C4 em C4a (inflamação) e C4b (opsonização).
  • C1s também cliva C2 em C2a (opsonização) e C2b (inflamação).
  • C4b e C2a formam a C3 convertase da via clássica (C4b2a).
  • C3 convertase cliva C3 em C3a (inflamação) e C3b (opsonização).
  • C3b se liga a C4b2a, formando a C5 convertase da via clássica (C4b2a3b).
  • C5 convertase cliva C5 em C5a (inflamação) e C5b (início da formação do complexo de ataque à membrana - MAC).
  • A via clássica também pode ser ativada por pentraxinas (ex: proteína C reativa) na ausência de anticorpos.

Via Alternativa

  • Iniciada pela clivagem espontânea de C3 em C3a e C3b.
  • C3b se liga à superfície do microrganismo.
  • Fator B se liga a C3b.
  • Fator D cliva o fator B ligado a C3b, gerando Ba e Bb.
  • C3bBb forma a C3 convertase da via alternativa.
  • Properdina estabiliza o complexo C3bBb.
  • A C3 convertase da via alternativa cliva mais C3, amplificando a resposta.
  • C3b se liga a C3bBb, formando a C5 convertase da via alternativa (C3bBbC3b).
  • C5 convertase cliva C5 em C5a e C5b.

Via da Lectina

  • Iniciada pela ligação da lectina ligadora de manose (MBL) a resíduos de manose na superfície de microrganismos.
  • MBL está associada a proteases chamadas MASP-1 e MASP-2.
  • Após a ligação da MBL, MASP-1 é ativada, que por sua vez ativa MASP-2.
  • MASP-2 cliva C4 em C4a e C4b.
  • MASP-2 também cliva C2 em C2a e C2b.
  • C4b e C2a formam a C3 convertase da via da lectina (C4b2a).
  • A via da lectina segue os mesmos passos da via clássica a partir da formação da C3 convertase.

Convergência das Vias

  • As três vias de ativação (clássica, alternativa e da lectina) convergem na formação da C5 convertase.
  • A partir da clivagem de C5, as etapas finais da ativação do sistema complemento são as mesmas para todas as vias.

Síntese/Conclusão

O sistema complemento é um componente crucial da imunidade inata e adaptativa, atuando através de três vias distintas que convergem para um objetivo comum: a eliminação de patógenos. A ativação controlada e regulada do sistema complemento é essencial para uma resposta imune eficaz e para evitar danos aos tecidos do hospedeiro.

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