Química orgânica: adição eletrofílica a alcenos.

Química de CÓAbout 4 min readSep 28, 2025Watch original
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Key Concepts

Alcenos, ligação pi, nomenclatura de alcenos, isomeria geométrica (cis-trans, E-Z), estabilidade de alcenos (efeito estérico, hiperconjugação), adição eletrofílica, eletrófilo, nucleófilo, regioseletividade, regra de Markovnikov, carbocátion, estabilidade de carbocátions (primário, secundário, terciário), efeito indutivo doador de elétrons, rearranjo de carbocátions, adição anti-Markovnikov, peróxido, mecanismo de reação (ataque nucleofílico, quebra heterolítica).

Pequena Revisão Sobre Alcenos

  • Alcenos: Compostos orgânicos com pelo menos uma ligação dupla entre carbonos.
  • Ligação Dupla: Consiste em uma ligação sigma e uma ligação pi. A ligação pi ocorre de forma paralela nos orbitais atômicos.
  • Nomenclatura: Substitui o infixo "an" (alcanos) por "en". A posição da dupla ligação deve ser indicada (ex: hex-3-eno). Em ciclos, o carbono da dupla é sempre o carbono 1, não necessitando indicação na nomenclatura (ex: ciclo-hexeno).
  • Isomeria Geométrica: Ocorre devido à organização espacial dos substituintes ligados à dupla ligação.
    • Isomeria cis: Substituintes do mesmo lado do plano da ligação dupla.
    • Isomeria trans: Substituintes em lados opostos do plano da ligação dupla.
    • Nomenclatura E/Z: Usada quando há mais de dois tipos de substituintes. Prioridade é dada com base no número atômico (maior número atômico = maior prioridade).
      • Isomeria E (entgegen): Prioridades maiores em lados opostos.
      • Isomeria Z (zusammen): Prioridades maiores do mesmo lado.
  • Estabilidade de Alcenos: Depende da isomeria e da quantidade de grupos alquila ligados ao carbono sp2.
    • Alcenos trans são geralmente mais estáveis que cis devido ao menor impedimento estérico (repulsão entre grupos volumosos).
    • Quanto mais substituído o alceno (mais grupos alquila ligados ao carbono sp2), mais estável ele é.
    • Hiperconjugação: Interação entre as ligações sigma (C-H) e os orbitais p da ligação pi, distribuindo a nuvem eletrônica e estabilizando a molécula.

Reação de Adição Eletrofílica a Alcenos

  • Alcenos como Nucleófilos: A dupla ligação é rica em elétrons, tornando o alceno um nucleófilo.
  • Adição Eletrofílica: Reação onde um eletrófilo (espécie deficiente em elétrons) é adicionado à dupla ligação.
  • Regioseletividade: A adição eletrofílica é regioseletiva, ou seja, o eletrófilo é adicionado preferencialmente a um dos carbonos da dupla ligação.
  • Regra de Markovnikov: O hidrogênio (em um haleto de hidrogênio, por exemplo) é adicionado ao carbono mais hidrogenado da dupla ligação. "O hidrogênio é o cara carente, igual ficar com seus amiguinhos".
  • Estabilidade do Carbocátion: A regra de Markovnikov é explicada pela formação de um carbocátion intermediário. O carbocátion mais estável é formado preferencialmente.
    • Estabilidade de Carbocátions: Terciário > Secundário > Primário > Metil.
    • Efeito Indutivo: Grupos alquila (CH3) doam densidade eletrônica para o carbocátion, estabilizando-o. Quanto mais grupos alquila, maior a estabilização.
  • Rearranjo de Carbocátions: Se houver um carbono vizinho mais substituído, o carbocátion pode se rearranjar para formar um carbocátion mais estável. "Se o meu alfa for secundário e meu vizinho for terciário, vai ter rearranjo".
  • Adição Anti-Markovnikov: Ocorre na presença de peróxidos (R-O-O-R). O peróxido força um mecanismo radicalar, invertendo a regioseletividade. O hidrogênio é adicionado ao carbono menos hidrogenado.

Mecanismo da Reação de Adição Eletrofílica

  1. Ataque Nucleofílico: A dupla ligação (nucleófilo) ataca o hidrogênio (eletrófilo) do haleto de hidrogênio (ex: HBr).
  2. Quebra Heterolítica: A ligação H-X (X = halogênio) se quebra heteroliticamente, com os elétrons indo para o halogênio (mais eletronegativo).
  3. Formação do Carbocátion: Um carbocátion é formado no carbono mais substituído (regra de Markovnikov).
  4. Ataque do Haleto: O haleto (X-) ataca o carbocátion, formando o produto final.

Exemplos e Aplicações

  • Exemplo 1: Adição de HBr a um alceno com um carbono primário e um secundário na dupla ligação. O hidrogênio é adicionado ao carbono primário (mais hidrogenado), e o bromo ao carbono secundário.
  • Exemplo 2: Adição de HBr a um alceno com um carbono secundário e um terciário na dupla ligação, e um carbono quaternário vizinho ao terciário. Ocorre rearranjo do carbocátion, com o bromo sendo adicionado ao carbono quaternário.

Conclusão

A adição eletrofílica a alcenos é uma reação fundamental na química orgânica. A regioseletividade da reação é governada pela regra de Markovnikov, que pode ser explicada pela estabilidade do carbocátion intermediário. Em certas condições (presença de peróxidos), a adição anti-Markovnikov pode ocorrer. O rearranjo de carbocátions é um fator importante a ser considerado, especialmente quando há carbonos vizinhos mais substituídos.

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