O que a Amazônia vista de dentro d'água pode nos ensinar | Larissa Noguchi | TEDxAmazônia
By TEDx Talks
Key Concepts
- Rios Urbanos: The central role of rivers in Belém do Pará, despite being obscured by urbanization.
- Va’a (Canoa Havaiana): A Polynesian outrigger canoeing sport adopted and adapted in the Amazon region.
- Conexão Amazônica: The interconnectedness of life, culture, and environment within the Amazon basin.
- Resistência e Identidade: Using the rivers and canoeing as a form of resistance, cultural preservation, and personal empowerment.
- Desenvolvimento Sustentável: Exploring alternative economic activities and sustainable living practices in riverine communities.
- Desinformação Climática: Combating misinformation about climate change through storytelling and advocacy.
A Alma do Rio: Uma Jornada Através das Águas de Belém
Introdução: O Encontro das Águas e a Alma da Cidade
O discurso, proferido no Dia Mundial dos Oceanos, inicia com uma imersão sonora nos sons da Baía do Guajará, um ponto de encontro crucial de rios e igarapés. A Baía é descrita como um local de fluxo desafiador, onde a dinâmica das águas reflete as complexidades da cidade de Belém. A oradora ressalta que os rios são o coração da cidade, mas que essa conexão foi negligenciada e “aterrada” pelo processo de urbanização. Ela menciona bacias hidrográficas importantes como Reduto e Tamandaré, e destaca a presença de diversas outras áreas vulneráveis, como a DU Una, Estrada Nova, Tucunduba e Murucutum, todas com histórias intrinsecamente ligadas aos rios.
A Aprendizagem com a Mandi e a Redescoberta dos Rios Vivos
A oradora compartilha sua jornada de aprendizado com a organização Mandi, que trabalha com educação ambiental nos rios urbanos. Foi com elas que ela compreendeu que os rios estão vivos, nascendo e desaguando com vitalidade, e que a relação com eles atravessa questões de gênero, classe e status social. Ela diferencia entre áreas onde a população reconhece e valoriza o rio, e aquelas onde a história do rio foi obscurecida pela construção e pelo abandono, citando o exemplo do Garapé das Almas.
A Canoa como Ferramenta de Percepção e Transformação
A experiência pessoal da oradora com o esporte da canoagem, especificamente a bordo de sua canoa “Onça”, é central para a narrativa. Ela explica que a canoagem permitiu que ela enxergasse a cidade de uma perspectiva diferente, “do rio para dentro”, compreendendo suas complexidades através do som das águas e da observação do ambiente. Ela convida o público a embarcar em qualquer tipo de embarcação amazônica – bajara, popopô, casquinho, ou motorizada – para experimentar essa nova perspectiva.
Va’a: Uma Herança Polinésia e Amazônica
A oradora explica a origem do Va’a, também conhecido como Canoa Havaiana, como um esporte originário dos povos polinésios do Pacífico, utilizado para navegação e povoamento de ilhas. Ela ressalta que os povos originários também praticavam formas semelhantes de navegação. A canoa, portanto, é apresentada como um elemento presente na história e na cultura da região.
Raízes Familiares e a Ilha das Onças
A história pessoal da oradora se entrelaça com a história da Baía do Guajará, revelando suas raízes familiares como neta de migrantes japoneses que desembarcaram em Belém em 1929. A Ilha das Onças, que deu nome à sua canoa, é um local significativo em sua jornada, onde ela conheceu a família de Felipe, um ribeirinho que participa de um projeto da professora Vânia Neu, focado em diversificar as atividades econômicas das comunidades ribeirinhas. A casa de Felipe, construída em madeira e com captação de água da chuva, é apresentada como um exemplo de habitação sustentável e em harmonia com o ambiente. A oradora enfatiza o senso de vizinhança que desenvolveu ao atravessar a baía para visitar Felipe.
A Travessia da Amazônia Atlântica e a Luta Contra a Desinformação
A paixão por navegar a levou, junto com sua amiga Lorena (a primeira mulher do Pará a participar de um campeonato mundial de canoagem oceânica), a atravessar a Amazônia Atlântica a bordo da canoa Sofia. Nessa jornada, ela aprendeu sobre as mudanças climáticas, os fluxos das marés e a importância da água em nossas vidas. A canoagem também a impulsionou profissionalmente, levando-a a trabalhar em projetos de conservação dos biomas brasileiros e a se tornar porta-voz da ONU em uma rede global de combate à desinformação. Ela está gravando uma série documental sobre os rios da Amazônia, contando suas histórias e as atividades econômicas conectadas a eles, incluindo a história de remadores indígenas Cambeba na modalidade K1.
Conquistas no Esporte e a Representatividade Feminina
A oradora relata suas conquistas no esporte, como a vitória no Campeonato Brasileiro de 2022, que marcou a primeira vez que o Norte chegou ao pódio do Pan-Americano. Ela destaca a presença de outras mulheres remadoras, incluindo mulheres ribeirinhas que enfrentam as águas barrentas e pesadas com grande força.
A Nova Geração e a Resistência Através da Água
A oradora celebra a ascensão de Nanda, a primeira indígena do cenário do Va’a brasileiro, uma indígena Banila do alto rio Negro que está em Belém para aprender sobre as águas locais e levar a mensagem de que navegar em canoas está enraizado na história e na cultura do povo. Ela conclui afirmando que navegar é uma extensão do corpo e do território, e que os rios são a alma da cidade e de seu povo.
Conclusão: A Alma do Rio e o Dia Mundial dos Rios
A oradora finaliza com um apelo para que o Dia Mundial dos Oceanos seja também um Dia Mundial dos Rios, reconhecendo a importância vital dos rios para a vida e a cultura da Amazônia. Ela enfatiza que o rio é a alma da cidade e que todos somos “alma de rio”.
Notable Quotes:
- “Os rios são o coração da cidade.”
- “Estar na água também é resistir e compreender a nossa história.”
- “Nós todos somos alma de rio.”
Technical Terms:
- Igarapé: Pequeno curso d'água, comum na região amazônica.
- Bacia Hidrográfica: Área de terra drenada por um rio e seus afluentes.
- Va’a (Canoa Havaiana): Canoa polinésia com flutuador lateral e, tradicionalmente, vela.
- Manguezal: Ecossistema costeiro de transição entre a terra e o mar, caracterizado por árvores adaptadas a solos salinos.
- K1: Modalidade de canoagem olímpica individual.
- Banila: Povo indígena da região do alto rio Negro.
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