Controle motor prescrição de exercícios (Rodrigo Peixoto) Aula 1
By RODRIGO PEIXOTO - RPX EXPERT
Key Concepts
- Sistemas Complexos: Abordagem que considera o corpo humano como um sistema dinâmico e interconectado, onde a imprevisibilidade e a adaptação são fundamentais.
- Engrama: Representação neural de um padrão de movimento ou experiência, que influencia a resposta a estímulos futuros.
- Controle Motor: Capacidade do sistema nervoso central de coordenar e regular o movimento, envolvendo mobilidade, estabilidade e sincronização da ativação muscular.
- Função vs. Ação: Ênfase na finalidade e no contexto do movimento, em vez de apenas na execução isolada de exercícios.
- Neuroplasticidade: Capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais em resposta a experiências e aprendizado.
- Repertório Motor: Variedade de padrões de movimento que um indivíduo é capaz de executar, influenciando a capacidade de adaptação e resolução de problemas.
- Foco Externo vs. Foco Interno: Direcionamento da atenção para o ambiente ou para o próprio corpo durante o movimento, com o foco externo geralmente resultando em melhor desempenho.
- Educação Cruzada (Rotacionais): Exercícios que envolvem movimentos rotacionais e diagonais, visando integrar diferentes partes do corpo e melhorar a coordenação.
- Imprevisibilidade: Introdução de elementos inesperados e variáveis no treinamento, para estimular a adaptação e a capacidade de resposta do sistema nervoso.
Principais Tópicos e Pontos-Chave
1. Previsibilidade vs. Possibilidades
- O caminho mais curto para a execução de um movimento é ofertar possibilidades, pois o indivíduo já possui um engrama sobre aquilo.
- A função do profissional é ofertar e possibilitar, capacitando o indivíduo, em vez de focar apenas em números como hipertrofia ou VO2 máximo.
- "Nossa função é ofertar, possibilitar para capacitar, diferente da visão vou ganhar x de hipertrofia, vou melhorar x meu vo2."
2. A Falácia dos Conceitos Engessados
- Ficar preso a conceitos engessados impede a reabilitação e prevenção eficazes.
- Se os conceitos tradicionais de hipertrofia, osteoporose e sarcopenia fossem totalmente eficazes, esses problemas já estariam resolvidos.
- É necessário capacitar o indivíduo, em vez de esperar que as lesões aconteçam.
3. Controle do Valgo Dinâmico
- A lesão do LCA não é causada apenas pelo valgo dinâmico, mas pela perda de controle do tronco oposto ao valgo.
- É preciso treinar o retorno do valgo, o controle desses mecanismos em condições reais do esporte, e não simplesmente "matar o valgo".
- "Eu preciso treinar o retorno do valgo, é controle de valgo e não mata o valgo."
4. Mobilidade com Função
- A mobilidade deve ser treinada com função, ou seja, em um contexto específico e relevante para o movimento.
- Exemplo: Treinar a rotação do quadril que ocorre durante uma queda, para capacitar o sistema de defesa.
- "Se treina mobilidade separada com função, não pode fazer mobilidade sem função."
5. A Importância da Resposta Adaptativa
- Não controlamos tudo, mas respondemos a tudo. É preciso reagir às ações, utilizando as ferramentas disponíveis.
- No teatro da imprevisibilidade, o sistema nervoso não dirige cada ator, mas se adapta a cada cena.
- "Não controlamos tudo, mas respondemos a tudo." - Rodrigo Ferreira
- "No teatro da imprevisibilidade, nosso sistema nervoso não dirige cada ator, mas adapta-se a cada cena."
6. A Integração do Sistema Nervoso
- O sistema nervoso central precisa de função nas condições de treinamento.
- Se o indivíduo não compreende o erro, não há resolutividade, pois não há comando.
- É preciso vencer várias condições, estimular o indivíduo pensando em neurogênese, acoplamentos e capacidade de reagir.
7. A Complexidade do Movimento Funcional
- Ser funcional é ter um sistema nervoso que consiga acionar toda a musculatura, sincronizar ela sem detrimento dela, com menor consumo energético e sem lesionar a articulação.
- O cérebro e o sistema nervoso central trabalham para economizar energia, pois acreditam que o indivíduo vai morrer o tempo todo.
- "É ter um sistema nervoso que consiga acionar toda aquela musculatura, sincronizar ela sem detrimento dela, com menor consumo energético sem lesionar articulação."
8. A Velocidade de Disparo Neural
- É preciso ensinar o cérebro a ativar na frequência de disparo neural dele, na velocidade dele.
- Superfícies instáveis não necessariamente fazem disparar mais rápido, pois a propriocepção e o reconhecimento de posição articular são muito rápidos.
- O treinamento deve focar em ajustes funcionais e respostas rápidas, em vez de apenas força.
9. A Neuroplasticidade e o Aprendizado
- A neuroplasticidade é o que se almeja, a expansão do cérebro através do aprendizado.
- A brincadeira é a melhor forma de criar neurogênese, modificação estrutural e formação de novos neurônios e conexões.
- "A neuroplasticidade é aprendizado, isso é importante lá no autista, né, que a gente vê uma galera gostando, isso aqui é a palavra de ordem, é aprendizado do cérebro, é expansão."
10. A Importância do Repertório Motor
- É preciso melhorar o repertório motor, pois quanto maior o repertório, melhor a neurogênese, as adaptações e as resoluções do sistema.
- O treinamento coordenativo deve buscar mudança de direção, estabilização e balanço, com sobrecarga.
- "A coordenação e o controle, eles precedem a geração de força."
11. Foco Externo e Dupla Tarefa
- O foco externo leva a um desempenho motor mais eficaz do que o foco interno, pois mobiliza e sincroniza mais musculatura.
- A dupla tarefa motora (fazer uma função com mais alguma coisa) também melhora a conexão neural.
- "Foco externo geralmente leva um desempenho motor mais eficaz do que o foco interno."
12. A Imprevisibilidade no Treinamento
- É preciso controlar o imprevisível, utilizando a sensação e a percepção como base do controle de movimento.
- O cérebro é incrivelmente adaptável e reorganiza sua estrutura em resposta a novos estímulos.
- "Quanto maior a oferta de novidade para ele, mais ele aprende, mais ele é capacitado."
13. A Especificidade do Treinamento
- O treinamento deve ser específico para a necessidade e a realidade do indivíduo.
- Não adianta ter um quadríceps e um glúteo hipertrofiados se eles não conseguem estabilizar o corpo na hora da necessidade.
- "A tarefa tem que ser para a necessidade da pessoa e para a especificidade dela e acabou."
14. A Tomada de Decisão e a Resposta Rápida
- A tomada de decisão é algo muito importante, envolvendo respostas rápidas e ajustes.
- É preciso treinar esses ajustes em condições instáveis e imprevisíveis.
- "A habilidade é controle, é tomada de decisão e é muito rápido."
15. A Biomecânica Funcional e a Neurociência
- Não somos lineares, e nossas articulações conseguem amplitudes de acordo com a necessidade delas, desde que sejam treinadas e capacitadas.
- A forma como nos movemos fala muito sobre nós.
- "Neurociência melhor para quem? Em que condição?"
Exemplos e Estudos de Caso
- Lesão do Gerson: Análise do mecanismo de lesão do LCA durante uma bandeja no basquete, enfatizando a importância do controle do valgo dinâmico.
- Vídeo do Alexandre: Demonstração de um tornozelo hiper móvel que se adapta a pronação e supinação extremas sem lesão, evidenciando a importância do treinamento da capacidade de defesa.
- Guilherme: Caso de um paciente com doença rara que melhorou significativamente sua qualidade de vida através do treinamento de movimento funcional, respiração e controle postural.
- Jogador de Futebol Americano: Exemplo de atletas que treinam hipermobilidade, choques, traumas e força rotacional para se protegerem de lesões.
- Criança Fortão: Vídeo de uma criança que inventou uma engrenagem para trabalhar queda de braço, mas é humilhada por um adulto que treina especificamente para essa atividade, demonstrando a importância da força com controle e especificidade.
- Vídeo do Garotinho: Criança que agacha com 70% do peso corporal sem lombalgia, demonstrando a capacidade de adaptação e aprendizado do sistema nervoso.
- Jogadores de Futebol: Análise de lances em que jogadores tomam decisões rápidas e ajustam seus movimentos para resolver problemas, evidenciando a importância do controle e da tomada de decisão.
- Dalbert: Caso de um atleta pós-cirúrgico de LCA com cinesiofobia, que foi reabilitado através de exercícios com foco externo, estabilização e força.
- Juliana: Paciente com tetraplegia que apresentou ativação de abdômen e respostas reflexas através de rotacionais com choque em oblíquo.
Processos e Metodologias
- Treinamento de Mobilidade com Função: Identificar os movimentos necessários em situações específicas e treinar a mobilidade articular nesse contexto.
- Controle do Valgo Dinâmico: Treinar o retorno do valgo e o controle do tronco oposto ao valgo, em vez de simplesmente evitar o valgo.
- Foco Externo e Dupla Tarefa: Direcionar a atenção do indivíduo para o ambiente ou para uma tarefa adicional durante o movimento, para melhorar a ativação muscular e a coordenação.
- Imprevisibilidade no Treinamento: Introduzir elementos inesperados e variáveis no treinamento, para estimular a adaptação e a capacidade de resposta do sistema nervoso.
- Rotacionais (Educação Cruzada): Utilizar exercícios que envolvem movimentos rotacionais e diagonais, visando integrar diferentes partes do corpo e melhorar a coordenação.
Argumentos e Perspectivas
- Ênfase na Função: O treinamento deve focar na função e no contexto do movimento, em vez de apenas na execução isolada de exercícios.
- Importância da Neurociência: A neurociência oferece uma nova perspectiva sobre o movimento e o controle motor, que deve ser integrada ao treinamento.
- Individualização do Treinamento: O treinamento deve ser individualizado e específico para a necessidade e a realidade de cada indivíduo.
- Valorização do Profissional: Os profissionais de movimento devem ser valorizados por sua capacidade de promover saúde e qualidade de vida, em vez de apenas estética.
Termos Técnicos e Conceitos
- Valgo Dinâmico: Movimento em que o joelho se desloca para dentro durante o apoio, aumentando o risco de lesão do LCA.
- Propriocepção: Sensação da posição e do movimento do corpo no espaço.
- Mecanotransdução: Processo pelo qual as células convertem estímulos mecânicos em sinais bioquímicos.
- Neurogênese: Formação de novos neurônios no cérebro.
- Cinesiofobia: Medo do movimento devido à crença de que ele causará dor ou lesão.
- Taxometria da Tarefa: Medida do dispêndio, complexidade e acionamento de uma tarefa.
- Artrocinemática: Movimento das superfícies articulares umas sobre as outras.
Conclusão
A apresentação enfatiza a importância de uma abordagem complexa e integrada ao movimento, que considere o corpo humano como um sistema dinâmico e interconectado. O foco deve estar na função, na neuroplasticidade e na individualização do treinamento, em vez de apenas na execução isolada de exercícios ou na busca por resultados estéticos. A neurociência oferece uma nova perspectiva sobre o movimento e o controle motor, que deve ser integrada ao treinamento para promover a adaptação, a capacidade de resposta e a qualidade de vida dos indivíduos.
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