ANÁLISE DE MARCHA: MARCHAS PATOLÓGICAS (Vídeo Aula) - Rogério Souza

NeurofuncionalAbout 4 min readJun 2, 2025Watch original
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Marchas Patológicas em Pacientes Neurológicos

Key Concepts: Marchas patológicas, lesão do sistema nervoso, alterações biomecânicas, marcha hemiparética, marcha paraparética, marcha atáxica, marcha escarvante, marcha parkinsoniana, marcha apráxica, compensações, gasto de energia, risco de quedas.

Introdução

A aula aborda as principais marchas patológicas observadas em pacientes neurológicos, atualizando informações de uma aula anterior. O conteúdo é um resumo de um módulo mais completo do curso de avaliação neurofuncional, que abrange biomecânica da marcha, distúrbios no ciclo da marcha e avaliação prática de pacientes.

Alterações Gerais nas Marchas Patológicas

Marchas patológicas resultam de lesões no sistema nervoso, gerando alterações biomecânicas e estruturais. As principais alterações incluem:

  • Deslocamento do centro de massa: Pacientes hemiparéticos transferem o centro de massa para o lado menos afetado.
  • Maior gasto de energia: A marcha se torna mais fatigante.
  • Maior risco de quedas: A instabilidade aumenta a probabilidade de quedas.
  • Possibilidade de lesões biomecânicas: Alterações na marcha podem levar a dores e lesões em joelhos, tornozelos, quadris e região lombar.
  • Marcha menos eficiente: Redução da velocidade e uso de estratégias compensatórias para lidar com fraqueza ou espasticidade.

Marcha Hemiparética (Ceifante)

  • Definição: Comum em lesões do primeiro neurônio motor (giro pré-central, cápsula interna, tronco encefálico).
  • Cuidado com o termo "padrão": Nem todos os pacientes com hemiparesia andam da mesma forma. A avaliação individualizada é crucial.
  • Características:
    • Falta de dorsiflexão, resultando em apoio inicial com a ponta do pé.
    • Membro superior em flexão e membro inferior em extensão (postura de Wernicke-Mann).
    • Compensação com inclinação pélvica e circundução do quadril devido à fraqueza dos flexores do quadril e joelho.
    • Fase de apoio diminuída e fase de balanço aumentada.
    • Dificuldade em virar para o lado não afetado.
    • Perda da oscilação normal do braço.
  • Exemplo: Demonstração de dois pacientes com hemiplegia apresentando marchas distintas, enfatizando a importância da avaliação detalhada. A marcha depende de vários sistemas (emocional, sensorial, musculoesquelético, neuromuscular, cognitivo e perceptual).

Marcha Paraparética (Em Tesoura, Espástica, Cruzada)

  • Definição: Comum em paralisia cerebral espástica e diparesia (adquirida ou congênita). Observada na síndrome de Little.
  • Características:
    • Adução exagerada dos quadris, com as pernas cruzando-se à frente uma da outra.
    • Passos curtos.
    • Marcha instável, frequentemente necessitando de apoio.
    • Flexão de joelhos pode estar presente.
  • Exemplo: Vídeo demonstrando o cruzamento das pernas durante a marcha.

Marcha Atáxica (Ebriosa)

  • Definição: Comum em lesões do cerebelo. Ataxia significa descoordenada.
  • Características:
    • Marcha instável, com oscilações.
    • Irregular e errática: base alargada, cambaleios, cruzamento das pernas.
    • Base de suporte aumentada (indicativo de problemas de equilíbrio).
    • Comprimento do passo variável.
    • Deslocamento do centro de massa para um dos lados (em casos mais graves).
  • Exemplo: Vídeo demonstrando a marcha instável e descoordenada, com o paciente cambaleando e cruzando as pernas.

Marcha Escarvante

  • Definição: Presente em casos de radiculopatia de L4-L5 ou lesões do nervo fibular profundo/comum, resultando em fraqueza dos dorsiflexores. Comum em lesões nervosas periféricas (ex: diabetes).
  • Características:
    • Falta ou fraqueza da dorsiflexão.
    • Compensação com flexão exagerada do quadril (arremesso do pé para frente).
    • Contato inicial com a ponta do pé, seguido pelo calcanhar.
    • Som característico ao caminhar.
  • Exemplo: Vídeo demonstrando a flexão exagerada do quadril e o arremesso do pé para frente.

Marcha Parkinsoniana

  • Definição: Presente na doença de Parkinson ou parkinsonismo.
  • Características:
    • Passos curtos e numerosos.
    • Tempo prolongado na fase de apoio e curto na fase de balanço (bradicinética).
    • Balanço dos membros superiores diminuído.
    • Postura com predomínio flexor (tronco inclinado, cabeça anteriorizada, flexão de membros superiores e joelhos).
    • Dificuldade em realizar dupla tarefa.
    • Dificuldade em mudar de direção e velocidade.
    • Olhar fixo para frente.
    • Congelamento (freezing) ou discinesias podem ocorrer.
  • Exemplo: Vídeo demonstrando os passos curtos e a postura flexionada.

Marcha Apráxica (Dizpráxica, Magnética)

  • Definição: Comum em lesões do lobo frontal, hidrocefalia de pressão normal e síndromes demenciais.
  • Características:
    • Dificuldade em planejar e iniciar a marcha (como se o paciente tivesse desaprendido a andar).
    • Pés "colados" ao chão, com dificuldade em levantar os pés para deambular.
    • Base de suporte diminuída.
    • Alto risco de quedas.
    • Membros rígidos com mobilidade reduzida (paratonia ou fenômeno de Gegenhalten).
  • Exemplo: Vídeo demonstrando a dificuldade em levantar os pés do chão e a rigidez dos membros.

Conclusão

A aula apresentou as principais marchas patológicas, enfatizando a importância da avaliação individualizada e detalhada de cada paciente, considerando que a marcha é influenciada por diversos sistemas. A identificação das características específicas de cada marcha é fundamental para um tratamento eficaz e para a prevenção de lesões e quedas.

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