A luta invisível de se sentir pertencente. | Claren Elias | TEDxItaim Bibi

TEDx TalksAbout 4 min readAug 16, 2025Watch original
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Key Concepts:

  • Medo de exposição social
  • Racismo internalizado e externalizado
  • Terapia como ferramenta de autoconhecimento e superação
  • Empoderamento através da ocupação de espaços
  • Importância de não internalizar o racismo alheio
  • Direito de escolha e autoafirmação

Infância e Adolescência:

A narradora descreve uma infância e adolescência privilegiadas, com pais presentes e boa condição financeira, desmistificando a ideia de que sua vulnerabilidade posterior estaria ligada a dificuldades socioeconômicas. Ela estudou em boas escolas, usava roupas de marca (Lilica Ripilica), mas reconhece que, apesar de não ter as mesmas experiências de algumas amigas (como viagens à Disney), tinha consciência de sua condição favorável. Aos 18 anos, sentia que já havia "zerado a vida" devido às experiências profissionais precoces e ao acesso à educação de qualidade.

Despertar para o Racismo e Medo:

Aos 18-19 anos, ao entrar no mercado de trabalho em bancos e frequentar uma faculdade renomada, a narradora começa a perceber as diferenças de tratamento devido à sua cor de pele. Ela cita exemplos como a insegurança ao ir à padaria ou farmácia de chinelo e ser confundida com funcionária em um restaurante, mesmo estando bem vestida. Esses episódios a fazem internalizar o racismo e desenvolver um medo de se expor socialmente, culminando no medo de comer sozinha no Burger King.

O Medo do Burger King:

O medo de comer sozinha no Burger King é apresentado como um símbolo da exposição e julgamento social que a narradora temia. Ela acreditava que seria julgada e maltratada por estar sozinha em um espaço público. Esse medo a paralisava e a impedia de realizar desejos simples.

A Busca por Ajuda e a Terapia:

Incapaz de lidar com seus medos sozinha, a narradora busca terapia, mesmo em um contexto social onde isso era visto com preconceito. Através de longas sessões, ela começa a entender suas emoções e como se sentia na sociedade.

O Insight no Consultório e o Lanche:

Um momento crucial ocorre quando a narradora compartilha com sua terapeuta, Pâila Magales, o desejo de comer no Burger King próximo ao consultório, mas o medo a impede. Pâila a encoraja a fazer isso por si mesma, ignorando o que os outros possam pensar. A terapeuta diz: "Larem, faz por você, o desejo é seu. Você tem vontade de comer esse lanche. Não se importa com as pessoas, não se importa com que eles vão pensar. Amanhã você não vai mais vê-las".

Após um tempo, a narradora finalmente vai ao Burger King, come sozinha e percebe que, embora algumas pessoas a olhem, ela não sabe o que estão pensando. Ela internaliza o ensinamento de Pâila de que o medo era alimentado por suas próprias inseguranças e projeções.

Empoderamento e Ocupação de Espaços:

A experiência no Burger King marca uma mudança na vida da narradora. Ela começa a desafiar seus medos e a ocupar espaços que antes considerava inacessíveis, como restaurantes caros e salas VIP de aeroporto. Ela começa a viajar sozinha, superando o medo de ser julgada ou assaltada por ser uma mulher preta.

A Viagem ao Atacama e o Racismo Explícito:

Em uma viagem ao Atacama, a narradora enfrenta um episódio de racismo explícito, quando uma mulher brasileira se recusa a ficar no mesmo hotel que ela. No entanto, ela lida com a situação como um crime, sem internalizar a ofensa. Ela se lembra da lição do Burger King e entende que o problema é da outra pessoa, não dela.

A Lição do Cavalo e a Escolha:

A narradora compara a experiência negativa no hotel com uma experiência positiva de andar a cavalo na Cordilheira dos Andes. Ela percebe que, se deixasse o medo do racismo a paralisar, perderia oportunidades incríveis. Ela aprende que tem o direito de ocupar qualquer lugar, mas também o direito de se retirar de ambientes onde não se sente bem-vinda.

Conclusão:

A narradora conclui que o medo de comer sozinha no Burger King representava a internalização da opinião alheia e a necessidade de se reconectar consigo mesma. Ela enfatiza a importância de não deixar o racismo impedir a busca por experiências e a ocupação de espaços, mas também de se afastar de ambientes tóxicos. A mensagem final é sobre autoafirmação, escolha e o direito de ser quem se é, sem se importar excessivamente com o julgamento dos outros.

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